Metalinguagem

25 02 2005

Dia desses eu estava escrevendo uma história e não foi com pouca surpresa que eu percebi que ela tinha tomado um rumo bem diferente do que eu planejara. Era um daqueles personagens – voluntariosos, como diz uma amiga – que havia tomado conta e fazia birra para a história ser do jeito dele. E aí, fui obrigado a contar uma história que não queria. Por que será que esses personagens são tão folgados? É tudo do jeito deles, isso quando querem trabalhar. Raramente eu encontro um que peça pra eu contar uma história. Pelo menos ultimamente. E eu vou ficando aqui, sem bem saber o que escrever. Vai ver que todos os personagens são um pouco assim. O ruim mesmo é quando eles não estão a fim de fazer nada, querem só sentar no sofá e ver TV, e acaba surgindo uma não-história. Paciência. Personagens são assim mesmo: querem arrancar a caneta da nossa mão e escrever o próprio destino. Vá lá. Nós, os homens, também queremos. Queremos escolher tudo que nos acontece, queremos ser felizes e não ser infelizes. Mas assim como no conto, precisamos dos altos e baixos na nossa vida para não ficar tedioso. Vai ver que é por isso que eu sempre preferi o Batman ao Superman. O primeiro é humano e tem milhares de defeitos e qualidades. O segundo é imbatível. Convenhamos: todo aquele lance de kriptonita não tem graça nenhuma. Então, quando os personagens querem escrever a própria história, eu só vou acompanhando, fingindo que não percebi o que eles estão fazendo. Deixo eles terem suas idéias de grandeza, para então, Zap!, tomar a pena de volta e mostrar quem manda aqui sou eu. É por isso que alguns dos meus personagens são meio atormentados. Juro, tem vezes que fico com pena deles. Vez ou outra até deixo eles contarem o que aconteceu, não me meto e só assisto. É nesses casos que nem sei bem o que aconteceu. Só o que me disseram. Mas no final, no final mesmo, eu chego à conclusão de que esse tipo de personagem precisa mesmo é apanhar, pra aprender que comigo não tem história. E nem vem com gracinha.





Mentiras

6 08 2004

Sim, sim. Eu menti. Confesso que menti. Mas não menti semana passada. Menti só hoje. Não foi premeditado, eu queria realmente postar alguma coisa essa semana, só que não rolou. Sem tempo pra pensar, sem tempo pra postar. Então a verdade tornou-se mentira hoje. Porque hoje percebi que não postarei. E peço desculpas àqueles que não dormiram direito pensando no que eu postaria. Não vou postar e ponto. Mas devo dar minhas satisfações. Quarta que vem farei uma mega viagem pela Europa, onde permanecerei por três, repito, três longos-curtos meses. Como a net é cara por lá, não postarei nada nesse meio tempo. E como a memória é curta, vocês não voltarão daqui a três meses ver se eu postei alguma coisa. Porque prometo que quando voltar postarei. Sim, postarei sim.Espero escrever bastante-pouco por lá, então terei, provavelmente, material pra postar quando voltar. Se não tiver, eu invento. Enfim, ficarei 3 meses longe, não chorem, por favor. Mas prometo que volto. Um dia.
Para quem quiser ser avisado sobre meu retorno, quando novamente escreverei aqui, é só clicar aqui embaixo, tem meu email. Assim eu faço uma newsletter (prometo não vender seus emails, a não ser que precise de euros), ou deixe um comentário dizendo: Eu quero ser avisado(a) e o seu email. Sim, vc deve colocar o(a), senão eu não aviso. Caso o hotmail estoure a caixa, é só deixar um comentário.

Mais uma coisa: como eu disse, tenho uma idéia em mente para um novo post. Existe uma pequena possibilidade de eu escrever até quarta. Mas se na quinta não tiver nada de novo, esqueçam: estarei em Madri. Abraço!





Bad, bad server. No donut for you

15 07 2004

Sinto sua presença. Constante. Crescendo a cada minuto. Seus tentáculos cada vez mais longos. Furtivos. Uma ameaça constante. Poderosa.Tomando o controle sem que se note. Uma luta silenciosa, agridoce. Não há escapatória: em breve, serei mais um zumbi.

Maldito Orkut.





Experiência Enriquecedora

31 05 2004

Quem me conhece sabe que sou muitas coisas, menos místico. Acredito em Ciência e Filosofia. No autoconhecimento, mas não na auto-ajuda. Sempre olhei com muita desconfiança qualquer coisa que tivesse no nome as palavras cura, amor, segredos, felicidade, crescimento e motivação, ou qualquer combinação entre elas. Qualquer pessoa que comece a falar de experiências transformadoras já perde muitos pontos comigo. Certa vez, uma tia, minha que lê bastante e me conhece bem, presenteou-me no Natal com um livro. O título? Felicidade. Esbocei um sorriso sem graça, mas ela logo afirmou: não é auto-ajuda. Respirei aliviado e fiquei contente ao descobrir que era um debate filosófico (muito bom, por sinal) sobre a felicidade.
Voltando ao assunto, sempre tive uma certa reserva com assuntos auto-ajudísticos. Em contrapartida, tento respeitar o que os outros acham a esse respeito. Cada um acredita naquilo que lhe convém. Alguns livros, inclusive, são erroneamente catalogados dessa forma, e às vezes temos boas surpresas como o, já citado, Felicidade e O Ócio Criativo.
Mas vamos à história. Conversei com minha mãe, psicóloga, sobre fazer terapia. Ela disse que uma colega havia falado de uma psicoterapia chamada “Constelações Familiares”. Desconfiei mas, como minha mãe me conhece e partilha muitas das minhas convicções a esse respeito, dei um voto de confiança. Nas palavras da colega, era “transformador”. Meu radar captou algo estranho, mas resolvi ignorar.
Para não ir sozinho, convidei uma amiga. Fomos, os dois, numa quinta à noite. A Palestra, de duas horas, seria ministrada numa livraria. Chegamos lá e já achei muito estranho o ambiente: livros de auto-ajuda, incenso, misticismo em geral. Mas até que tinha alguns presentes legais. Sentamos numa pequena sala e logo entraram as palestrantes. Uma delas tinha um enfeite na testa, que lembrava um terceiro olho. Mas tudo bem. Pode ser um resquício da novela O Clone.

A explanação começou e tudo corria bem. Falou-se de psicoterapia, de estudos, de como um fato acontecido na família, como um tio suicida ou uma morte prematura podia afetar cada um dos membros da família, criando nós ou emaranhamentos. Faz sentido. A presença constante da memória desse fato realmente deve criar problemas para todos os membros. Mas quando ela falou que isso podia ir até a 7ª geração de ascendentes, senti que havia algo de podre no reino da Dinamarca. Acabou a parte discursiva, começou a demonstração do método. Uma pessoa da platéia se ofereceu para falar de seu problema e achei que se trataria de uma espécie de terapia de grupo aliada ao psicodrama. Técnicas conhecidas e difundidas. Virei para minha amiga e disse: a gente nunca sabe, vai que funciona mesmo…
A mulher contou sobre o problema com seu filho que era incontrolável. Na verdade, foi praticamente só o que ela disse. A “facilitadora” (até arrepia ouvir um termo desses) pediu que ela escolhesse duas pessoas entre os presentes para representá-la e ao filho. Claro, Murphy sorriu e disse: vocês. E eu e minha companheira de aventuras nos levantamos e ficamos frente a frente, ela a mãe, eu o filho. Pensei “taí uma boa chance de tirar a prova, se eu sentir alguma coisa…”. A facilitadora olhou para nós e disse que fizéssemos o que quiséssemos. Que deixássemos nossos corpos à vontade e simplesmente sentíssemos a energia. Ficava cada vez mais difícil não rir. Enquanto isso ela fazia algumas perguntas para a voluntária. Eu e minha amiga controlávamos o riso, e nem podíamos nos olhar nos olhos. Vocês estão sentindo alguma coisa? Não. Nada? Não. Estão confortáveis. Eu estou. Ah… Tudo bem. Dez minutos e nem nos mexíamos. Nada acontecia. “Vocês gostariam de se sentar? Às vezes as pessoas não estão prontas e receptivas para a situação. Não tem problema.” Sentamo-nos. Uma senhora e um jovem foram escolhidos. O que você está sentindo, mãe? “Uma dor (choramingando) horrível aqui, como se fosse um nó na garganta”. E você, filho? “Estou tremendo, tremendo inteiro, sinto um bloqueio, não sei, não quero fazer nada”. A pseudomãe chorava aos cântaros. E mais pessoas foram sendo chamadas, para representar outros familiares, como o pai, avós, etc. Rapidamente metade dos presentes estava de pé e “sentindo” a energia daquela família. Eu imaginava como alguém podia acreditar naquilo. Pensei em golpe, charlatanismo, pegadinha do Faustão. Não me conformava com aqueles adultos chorando e dizendo coisas como “eu gosto muito dela”,”sinto uma raiva muito grande dele”. Imaginei se tratava-se de participantes do golpe, estrategicamente estavam escondidas na platéia, prontos para nos enganar. Mas quando só sobrou eu e minha amiga, achei altamente improvável que tanta gente estivesse metida nisso. Fui obrigado a aceitar que as pessoas fazem as coisas mais estranhas quando estão em desespero.
I´ll do anything once, disse para a colega de palestra. Ela limitou-se a conter o riso. Mal sabíamos que o melhor estava por vir. A facilitadora era uma japonesa de fala mansa, quase irritante. Não tinha entonação nenhuma na voz, seu discurso era plano. Quando acabou a demonstração, três pessoas relataram sentir dor na cabeça, uma pressão nas têmporas. A nipo-brasileira (deixa pra lá, não vou ser politicamente correto), a japonesa virou para elas e disse: “se vocês chegarem em casa e ainda estiverem sentindo isso, façam o seguinte (tomem um tylenol, eu comentei com meus botões): pensem na pessoa e peçam que ela receba a energia de volta. Ou melhor, façam o seguinte, venham aqui na frente.”
Ela formou um círculo com as três mulheres e disse: “Apóiem os pés no chão, abram o ânus e a vagina (sim, ela disse isso), e respirem fundo três vezes. Isso. Agora eu quero que vocês façam o Rá! (!). Pulem e gritem Rá!, mas ele tem que sair lá de dentro.” E nisso, a japa deu um grito totalmente inesperado. Bizarro, no mínimo. Funcionou mesmo!, disse a mãe chorona.
E eu não via a hora de ir embora e tirar sarro daquela situação esdrúxula. Finalmente fomos liberados e corremos como loucos para o carro onde, a salvo daquele manicômio, pudemos finalmente rir sem medo de sermos taxados de fariseus. Resumo da noite: acho que talvez estejamos precisando de um pouco mais de espiritualidade em nossas vidas. Mas não tanto.





Tenho um amigo grande

2 03 2004

Grande no sentido de alto. Grande, porque é grande amigo. Mas não só isso. Grande como Gulliver chegando a Lilliput. Grande por contraste. Grande pelo ambiente.
Ele mora com a família, também de grandes, num pequeno apartamento, daqueles que se atravessa em duas passadas. Curtas. Um apartamento médio para uma criança, pequeno para um adulto (grande).
Não bastasse a família de grandes, ele tem um cachorro: Dálmata e grande.
Mas o que realmente impressiona são as coisas grandes da família de grandes. Tudo lá tem um tamanho especial, ad hoc, feito para criar contraste. Quando faço uma visita, saio pasmo. Fotos não conseguiriam traduzir a impressão que tenho. Só mesmo a imaginação tem espaço para esses antônimos.
Como ia dizendo, é grande por contraste. Tudo o que eles compram vem naquelas embalagens econômicas.
Listerine. Numa casa normal, o frasco tem quanto? Meio litro? Em Lilliput, dois. E, o banheiro, como por antítese, é minúsculo. Salta-se da banheira para o vaso, para a pia, para fora. Cuidado para não esbarrar no Listerine.
Ou o pote de vitaminas, na pequena cozinha. Gigantesco. Dá pra colocar a mão dentro, encher de comprimidos e tirar com a mão fechada. E fazer pouco daquele ditado do macaco e da cumbuca.

Hmmm… Pensando bem, ele sempre toma umas 3 ou 4 pílulas por dia… Será essa casa uma filial do País das Maravilhas? Será meu amigo a própria Alice, que cresceu demais para passar pela porta? Será que estou elucubrando mais do que deveria?





Comentários Aleatórios IV

19 02 2004

Guess diz:
Vc já não mandou esse site pra eu ler? Junto com aquele do machão?
Vitor diz:
do machão? que machão?
Guess diz:
aquele q vc disse q deixou até comentário.
Vitor diz:
CHAVÃO!!!! Homem Chavão!





Comentários Aleatórios III

6 02 2004

R. diz:
Preciso dar uma caixa de chocolate pra um amigo. Dá uma idéia.
Vitor diz:
Leva uma caixa de Alpinos
R. diz:
Alpino? é bom?
R. diz:
Acho chocolate branco ruim demais
Vitor diz:
Alpino não ALBINO.
Vitor diz:
chama ALPINO de ALPES
Vitor diz::
de chocolate dos alpes

Tsk, tsk.