Um post

10 02 2006

Hoje eu vi no meu blog que não escrevo nada desde novembro. Estou com alguns textos sendo cozidos em banho maria, mas sei lá quando ficarão prontos. O pior é que perdi um backup com todos os meus arquivos, inclusive textos. Ainda bem que dei uma sorte e um texto que eu mandei para um concurso literario ainda não tinha sido incinerado, e eu vou recuperá-lo.
Mas o fato é que hoje eu entrei no blog da Thaís Fabris, o Pescaria de Palavras, link ao lado, e li algo muito bonito sobre um lugar que amo. E, por isso, vou fazer algo que eu nunca faço: vou colocar esse texto aqui, porque é muito bom.

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Você devia ver São Paulo como eu vejo, num fim de tarde com brisa fresca, o alfalto molhado refletindo a luz dos postes, uma fileira de luzinhas vermelhas indo, outra de luzes brancas vindo, a brisa arrepiando os pêlos do braço.

Você devia ver a São Paulo que eu vejo, em uma noite fria de inverno, luva, gorro, cachecol, o calor de um abraço amigo. Você devia ver a cidade do alto, todas as janelas dos apartamentos, cada janela, uma vida.

Você devia ver a Vila Madalena em um domingo de verão, o Centro e seus prédios antigos, o Mercadão. Você devia ver a Paulista em qualquer dia, e devia ver bem, pra entender melhor a cidade.

Só não devia ver a Berrini. E o Morumbi. Aquilo pra mim não faz sentido. Mas devia ver a Marginal só por curiosidade: o maior estacionamento do mundo! Devia subir a Marginal Pinheiros durante a semana em um Gol com 5 pessoas queridas e entender que o trânsito não é tão ruim assim.

Você devia andar de ônibus conversando com o cobrador. Você devia se perder um dia e ir parar no Grajaú. Você devia sentar pra tomar uma cerveja olhando pra faculdade mais bonita de São Paulo: a minha. E devia, não sempre que os dinheiros são poucos, mas quando desse, comer um pão de calabreza no Braz. E sempre que possível, sentar em uma calçada na Liberdade pra comer um Yakissoba.

Você devia ver a São Paulo que eu vejo, infinita, caótica, cinza. Enormemente acolhedora. Com seu asfalto eternamente molhado pela garoa. Então você ia entender como se pode amar São Paulo.





Desafio da Olivia (sem acento)

4 11 2005

Alguns meses atrás a Olivia me desafiou (e a alguns outros) a continuar um texto que ela tinha começado. O resultado, já postado por ela, eu finalmente trago para cá.

E devido e inúmeras 4 reclamações, vou dar um jeito de postar algo novo aqui de vez em quando. De início, estou com um projeto de reavaliar coisas antigas colocadas aqui. Acertar aqui e ali e ver no que dá. Uma das coisas interessantes de ler sempre, escrever sempre, e reler vez ou outra o que fez no passado, é que você nota erros tão simples de se arrumar – e outros quase impossíveis. A gente ganha mais clareza e objetividade na avaliação do texto. Então vou fazer isso. Inclusive, uma versão aprimorada de um dos meus contos eu enviei para um concurso literário. Vamos ver no que dá. Enquanto isso, leiam o texto:

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Instantes

“Infindo e onipresente, o nada envolvia cada recanto de sua consciência” – Joseph Glittergate

O quarto era escuro e a figura sentada sobre a cama não se movia. O silêncio pulsava com a cadência da sua respiração. Uma luz entrava fraca e esverdeada pela fresta de janela aberta e iluminava um retângulo na parede oposta. As mãos apoiadas na borda do colchão e os pés em simetria tocando o chão. Uma espécie de ruído chegava da rua; carros passando e prostitutas que conversavam com vozes esganiçadas.

Ele não ouvia, imerso em seu mundo estático de sombras. Era o silêncio e o silêncio nascia dele, em ondas, inspirando e expirando.

Um quarto sujo de um hotel pobre em um bairro esquecido, ele pensava, e pensava também em outros adjetivos que poderiam caber naquele lugar tão feio. E tomou todos aqueles adjetivos para si conforme os enumerava, e os adjetivos sentavam-se ao seu lado e o tomavam para si também. Decadente, abandonado e triste, e outros tantos adjetivos que quando muito juntos perdiam o significado e viravam seqüências idiotas de sons.

Passos no corredor. Fugiram os adjetivos e o silêncio se escondeu embaixo da cama. O homem levantou-se e fez ranger as molas do colchão, e o silêncio pulou pela janela.

Decidiu. Da cabeceira, assomou a arma. Retesou o pulmão. Engatilhada, o cano aproximou-se sem emitir som. O silêncio gritou um aviso, a bala respondeu num dó torto. E o silêncio voltou ao recinto.

Desta vez, permanente.





Desafio

18 07 2005

Eu aceitei o desafio da Olivia do Forsit, mas ela me negligenciou um tempão e não colocou no ar. Agora foi. Confiram.

E sim, estou numa fase minimalista.





Os outros – parte última

22 03 2005

- Sampaio, Sampaio? – repeti conforme entrava em sua sala.

Segui a mulher. Ainda sem saber porque, mas segui. Ela atravessou rapidamente a sala de espera e entrou no escritório. Na porta, dizeres recém-escritos: O Bispo. Exorcista.

O homem que apareceu por trás da mesa não era meu editor. Era um homem um tanto estranho, com um nariz aquilino ou não, com cabelos brancos ou careca. Seu corpo magro-gordo se esparramava, retesado na cadeira de Sampaio.

- As coisas devem estar bem feias para você voltar, Hannah.

- Quem é você? Onde está o Sampaio… E como sabe quem eu sou?

- Calma, calma Uma coisa por vez. Você nunca me notou, mas sempre estive aqui. Sampaio, aquele idiota, não merecia esse lugar. Ele nunca vai ser imortal, como você. Resolvi fazer uma aparição antes que fosse tarde. Sair das sombras, pra variar. Pode me chamar de Bispo. Quanto a saber quem você é, faz parte do que eu faço. Mas isso fica pra depois, Hannah. Temos algum tempo ainda…

Havia algo naquele homem que me dava calafrios. Meus pensamentos como congelavam quando ele dizia algo. Eu precisava sair logo dessa. Essa história já estava me enlouquecendo.

- Não me chame de Hannah. Odeio esse nome. É coisa do Sampaio. Meu nome é Ana Cristina. Abreu. Cris.

- Sim, sim, Cris, isso é bom. As coisas devem ter seus próprios nomes, sabe? Imagina só se andássemos em carros que se chamassem aviões. Não, não. Você já deve ter percebido isso. Sabe aquelas palavras que não encaixam no objeto? Nomes errados… E, no fundo, o que ninguém percebe é que não são as coisas que possuem nomes, são os nomes que possuem suas coisas.

- Entendo… Mas, o que você faz aqui, na sala do Sampaio?

- Vim arrumar essa confusão, Cristina. Isso já foi longe demais. Sabe como são essas coisas: muita gente envolvida, muitas opiniões, muitos palpites. Basta um irresponsável, um desavisado, um pequeno boicote e a coisa desanda.

- Na verdade, – continuou a estranha figura atrás da mesa – autores, editores, toda essa laia fica aí, achando que é só contar uma história e tá tudo certo. O que importa é ser lido, ganhar uma grana. O que importa, você sabe, não sabe? Cris, qual é a coisa que você mais gosta?

- Escrever… – murmurei.

- Então porque você parou? Quando você começou a simplesmente redigir histórias? Redigir obras padrão, com significados óbvios. Quando você parou de criar. Esse rapaz, confuso, aí ao seu lado. Qual o nome dele?

- Meu nome? Meu nome é…

- Ele não sabe, não é, Cris? Você emprestou ele de outro lugar. Você não o criou para isso. Ele é fraco. Não adianta só apagar o passado. Personagens não são tabula rasa. Qual o nome dele?

Nisso, meu primo e a mulher invadem a sala. A arma, na mão dele dispara, o tiro passando zunindo pela minha cabeça.

- Porra, Marcelo, toma cuidado com isso – diz a mulher do decote – você quase me acerta. E se matar o Alan, a gente nunca vai ver a grana!

- Vocês sabem que não deveriam estar aqui – disse o Bispo.

Aquela dupla novamente. Sempre aparecendo na hora mais inoportuna…

- Quem não deveria estar aqui é ela. Como é que ela cruzou? – resmungou Marcelo.

- Isso é problema meu. – respondeu o Bispo – Já que estão aqui, fiquem quietos. Vocês sabem que já não podem fazer nada. Vamos, Cris, qual o nome desse rapaz? Qual o nome dele, Ana Cristina…

- …Abreu, pode entrar.

Levantei num susto. Quanto tempo fazia que eu estava esperando minha vez? O Sampaio já estava abusando da minha boa vontade.

- Hannah Roberts, minha escritora favorita!

- Sampaio, vai à merda. Já disse que meu nome é Cris.

- Calma querida. Os caras adoraram o manuscrito. Mas…

- Mas?

- Mas eles acham inconsistente, esse tal de Alan.

- Inconsistente, porra? Ele tem amnésia!

- Não tem mais. Assim ninguém vai entender nada. Não é mercadologicamente bom.

- Quer saber? Chega dessa palhaçada. Se vocês querem esse livro, é melhor sentarem no computador e escreverem vocês mesmos. Eu tô fora. Quem é que conta a história aqui? Aqueles babacas ou eu?

- Cris, calma, não é bem assim. Além do mais, falta tão pouco… esse livro vai vender muito. Vai ser mais um best seller de Hannah Roberts.

- Que claramente não sou eu. É só uma quimera desse bando de incompetentes que não sabem escrever e ficam mandando em que sabe. Já chega. Passar bem.

Passei pela recepção, e joguei o disquete e o manuscrito na mesa da gorda – Enfia no cu – disse, contente. Conforme desci no elevador, senti algo que não sentia há muito tempo. Senti meus dedos formigarem. Precisava escrever.

Cheguei em casa e peguei, lá no quartinho dos fundos a velha Olivetti Royal, presente do meu pai, cujos es sempre emperravam.

Robrto acordou e viu os pontiros do rlógio marcarm tr^s da manhã. O quarto stava scuro. Mal vislumbrava o intrrupor na pard. Lvantou olhou m volta. Não sabia ond diabos stava. No splho um rosto conhcido. Mas o quarto, não o sabia…





Mega Liga

22 02 2005

Não, a Liga não parou. Foram problemas técnicos, mas ela já passou por aqui (leiam para entenderem o que se passou com o Alan) e agora está no Mundo Estranho. Semana que vem tem mais.





Minha vez

7 02 2005

Finalmente chegou a minha vez na Liga. Mas, ela ainda não acabou. A história é daquelas voluntariosas, e implorou, implorou para que continuássemos. Então, resolvemos dar uma chance e teremos mais uma rodada. Semana que vem ela continua no Asas de Madeira.





Outros – Parte V

7 02 2005

- Você deve estar se perguntando onde foi parar a cicatriz, não? Pois é. Photoshop. Faz maravilhas. Você não faz idéia de quantas barriguinhas são refeitas nas revistas hoje em dia. Você achou mesmo que iriam deixar essa coisa horrível na sua cara? Não mesmo.
Eu só pude pensar que ela devia estar louca. Mas, surpresa, a cicatriz estava ali, cortando a bochecha de ponta a ponta.
- Foi uma briga e tanto – ela disse.
- Pelo menos eu ainda estou vivo – respondi.
- Isso pode mudar se você continuar a fazer merda.

Era o motorista do carro roxo. Eu nem percebi quando ele saiu do carro, mas agora ele me encarava como se fosse arrancar-me os olhos e depois comê-los.

- Se fosse fácil me matar você não me procuraria pra resolver seus problemas.

A situação era tão absurda que a loucura parecia ser a única coisa sensata. O homem recuou pensativo, e fitou-me por um instante. Em seguida veio na minha direção e deu-me um abraço.

- Alan, primo, que bom que você apareceu. Eu realmente estou precisando dos seus serviços. Mas antes você precisa de um banho. Vamos lá pra dentro, vamos?

Entramos na casa que, como tudo até agora, não parecia com nada que eu já tivesse visto antes. Ou ainda, tudo era estranhamente comum, vulgar. As casa geminadas, todas semelhantes, com suas portas que rangem e pisos descascados. Já no quarto, a mulher, que pelo que eu havia entendido era esposa do meu primo, mostrou-me o banheiro e uma toalha surrada.

Depois do banho fiz um curativo e coloquei uma camisa e uma calça, que o homem dizia serem umas coisas antigas que eu deixara lá para uma emergência. Essas sim, serviam perfeitamente, sapato e tudo.
Limpo e vestido, decidi que já era hora de descobrir onde eu me metera. Ainda não sabia ao certo como, mas precisava da ajuda de alguém. Alguém de confiança. Por algum motivo – creio que instinto, aquilo em que podemos contar quando não sabemos nada – eu sentia que podia confiar no homem que se dizia meu primo. Saí do quarto e chamei-o num canto, longe da mulher de vermelho.

- Primo, eu tenho que te contar uma coisa.
- Você não se lembra de nada disso, não é?
- É. Mas como você sabe?
- Você só me chama de primo quando isso acontece.

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Liga

2 02 2005

A quarta parte da Liga está no ar, lá no Badunda. Vocês não perdem por esperar





Parte 3

25 01 2005

A terceira parte da Mega Liga já está no ar. E a Olivia (sem acento) disse que no meio é mais gostoso. Então confiram no Forsit.





Liga – Segunda Parte

18 01 2005

A próxima parte já está no ar. Confiram aqui.